Quando tudo se vai,
quando a luz se apaga,
quando não se ouve
nem um só riso ou lamento
ecoando sozinho no vento,
o que resta são as palavras
espalhadas pelo chão
do papel que clama por verso.
Quando não restar mais nada,
absolutamente nada,
nenhuma voz,
nem um grito — escute:
quando a poesia chamar,
atenda, pois ela sempre
tem algo novo a trazer.
Só resta prometer escrever
pelo menos uma poesia
por dia, mesmo que ela
não tenha métrica, rima,
mas que dê para o gasto
ou que sirva de alimento
para a esquecida folha
que soluça em prantos,
igual cachorro faminto.
Não seja poeta. Escreva.
Palavras são raridades
que podem, no futuro, valer
algumas poucas bugigangas.
Escreva, escreva, escreva.
Não deixe a sua memória
atrofiar e as suas mãos
enferrujarem feito um carro
antigo e velho parado na porta.
A poesia é o que resta.
O poema vale a pena.
Já pensou que, no mundo dos poetas,
as letras valem como moedas
que podem virar sementes e, assim,
plantarem um bosque de livros
e salvar toda a humanidade?
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