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Mostrando postagens de 2026

RECOMEÇO

 Desculpa. Está tudo bem. Realmente desculpe-me Por deixar chegar até aqui. Está tudo bem mesmo. Mas desculpe. Sim. Desculpa por ficar em silêncio. Calado e sozinho. Não é por mal, foi por bem. Mas sabe, se eu te disser Você não vai entender. Entretanto, preciso que aceite. E compreenda. Por mais que eu queira continuar Infelizmente chegou ao fim. Sim, felizmente, o fim. Não O FIM. Mas, um final feliz, quem sabe. Não por estar feliz por isso Em ter encontrado o fim Mas por ter chegado até aqui.

O SEGREDO DA POESIA

O segredo da poesia é o tempo. Pois a vida é feita de tudo e nada, daquilo que nós fizemos, do que não realizamos e que só a poesia consegue narrar. Poesia é viver aquilo que não aconteceu. É aquele filme não assistido, adormecido; aquela coleção de livros comprada e não lida; aquela roupa esquecida no guarda-roupa. Aquele carrinho sem as rodas no canto, a primeira professora, a primeira nota. É a mensagem escrita e não enviada, a carta que nunca chegou ao destino. É aquela gargalhada pura que ressoa nos fundos da mente. É a voz da bisavó que ainda ecoa num olhar registrado há anos e anos. Poesia está numa frase que ficou na cabeça, nos sorrisos dos amigos nas fotografias, na música que insiste em pedir bis, naquilo que foi dito, mas se perdeu ao vento. O gole do café quente que aqueceu uma manhã fria, os pássaros voando num dia ensolarado, são lembranças das quinquilharias de um antiquário, a rua de que não se lembra mais o caminho. A vida escrita é como a poesia de um poema vivido, m...

O QUE SOBRA É POESIA

Quando tudo se vai, quando a luz se apaga, quando não se ouve nem um só riso ou lamento ecoando sozinho no vento, o que resta são as palavras espalhadas pelo chão do papel que clama por verso. Quando não restar mais nada, absolutamente nada, nenhuma voz, nem um grito — escute: quando a poesia chamar, atenda, pois ela sempre tem algo novo a trazer. Só resta prometer escrever pelo menos uma poesia por dia, mesmo que ela não tenha métrica, rima, mas que dê para o gasto ou que sirva de alimento para a esquecida folha que soluça em prantos, igual cachorro faminto. Não seja poeta. Escreva. Palavras são raridades que podem, no futuro, valer algumas poucas bugigangas. Escreva, escreva, escreva. Não deixe a sua memória atrofiar e as suas mãos enferrujarem feito um carro antigo e velho parado na porta. A poesia é o que resta. O poema vale a pena. Já pensou que, no mundo dos poetas, as letras valem como moedas que podem virar sementes e, assim, plantarem um bosque de livros e salvar toda a humani...