Quando tudo se vai, quando a luz se apaga, quando não se ouve nem um só riso ou lamento ecoando sozinho no vento, o que resta são as palavras espalhadas pelo chão do papel que clama por verso. Quando não restar mais nada, absolutamente nada, nenhuma voz, nem um grito — escute: quando a poesia chamar, atenda, pois ela sempre tem algo novo a trazer. Só resta prometer escrever pelo menos uma poesia por dia, mesmo que ela não tenha métrica, rima, mas que dê para o gasto ou que sirva de alimento para a esquecida folha que soluça em prantos, igual cachorro faminto. Não seja poeta. Escreva. Palavras são raridades que podem, no futuro, valer algumas poucas bugigangas. Escreva, escreva, escreva. Não deixe a sua memória atrofiar e as suas mãos enferrujarem feito um carro antigo e velho parado na porta. A poesia é o que resta. O poema vale a pena. Já pensou que, no mundo dos poetas, as letras valem como moedas que podem virar sementes e, assim, plantarem um bosque de livros e salvar toda a humani...