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PINDAÍBA

 São tempos de vacas magras. Hoje, especialmente, tô apenas com a camisa do corpo. Estou a bater bruaca, lambendo em bica, praticamente. Estou tão liso que nem mussum ensaboado. Quiabo passado no sabonete. Estou a apertar o cinto, na merda. Andando à moina, na lama, na tira. Entendeu? Quero dizer que estou na pindaíba, duro. No vermelho, zerado. Na unha! Estou literalmente de mãos abanando. Escorregando na banha. Tô que nem menino de rua. Pé de chinelo, com a sela na barriga. Esses dias estou voando baixinho. Estou pobre diabo prestes a dar um tiro na praça. Estou tinindo. Minha vida sempre foi na dificuldade, quase miserável. Vi e ainda continuo vendo a porca torcer o rabo. Vivo entrando pelo cano, sempre numa fria. Sempre passando por poucas e boas. Às vezes dizem que eu não valho o pão que como. Mas na verdade, nem pão às vezes tem. Não tem nada, nem titica de galinha. Dificilmente a maré tá prá peixe. Me sinto perdido no mato sem cachorro. Me deparo corriqueiramente num beco sem saída. Fico de maus bofes. Estou a custo. Sempre em jejum. Longe de ser uma vida de cão, mas meu caro, a chapa é quente. Viver é estar na dependura. Às moscas, abandonado pela sorte. Desculpe, mas tô com a corda no pescoço. Sem um cofo pra morrer dentro.

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O RATO

Sou um rato! Conheço cada canto desse quarto. Sou raro! Por isso procuro o melhor para comer. Sou apenas um entre muitos da minha espécie! Mas aproveito bastante o quanto posso ao estar vivo. Tenho odor forte que exala da tardinha até o amanhecer, anunciando com hipocrisia a minha cínica presença. Uma vez que estou pelos telhados e buracos do piso, desfilando pelas paredes, prateleiras e armários, também dentro do fogão, nos caibros e canos da pia, buscando sempre o que comer incessantemente. Às vezes, nem o puro veneno consegue dar-me fim. Mas quando um dos nossos, desta feita, não sai ileso, não lhe resta mais nada senão se deixar morrer. Em contraponto, estou Eu na história! Como um ditador autoritário e absoluto. Sou aquele que mata milhões ao redor do mundo!? Em todas as épocas, estações e temporadas. Sim, estarei lá, Eu, Rattus rattus, pela Ásia, Europa e Américas, levando a praga! Pois não sou um homem, sou um Rato!

CAXIAS EM POUCAS PALAVRAS

Caxias do Maranhão, outrora Aldeia de Guanarés, tribo de oito mil indígenas que habitavam as margens do Rio Itapecuru, um dos quatro principais rios do Maranhão. Após aniquilação de quase toda tribo e destruição de suas aldeias pela invasão portuguesa e espanhola, com participação dos jesuítas e as companhias de jesus, mais tarde, receberia os títulos de arraial, vila e por último de cidade. Situada no meio Norte maranhense, área de transição entre os biomas amazônico e o atlântico, demonstra quase duzentos mil habitantes e quase trezentos anos de existência. A região onde a cidade se localiza é denominada Cocais, que é abundante em palmeiras de Babaçu e outras, como a Macaúba, Tucum e Buriti. A planta é autêntica do Brasil, principalmente nos Estados do Pará, Tocantins, Piauí e grande parte no Maranhão.  Em Caxias irrompeu a última revolta por liberdade desde os remanescentes estouros por independência, que ocorriam desde os primeiros anos de dominação territorial e exploração de ...